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Prefeito diz que não tem dinheiro pra pagar servidores, mas quer empréstimo de R$ 70 milhões pra obras de cunho eleitoral

A história de que dinheiro tinha, se comprova ser verdade; assim como é verdade o fato de que o que está faltando é habilidade em gestão

O prefeito Eduardo Japonês (PV) pelo visto pegou o jeito para gerir a máquina pública. Numa verdadeira demonstração de maestria, vem conseguindo enrolar os servidores municipais por mais de um ano com a promessa de consolidação do Plano de Carreira, Cargos e Salários dos Servidores, uma medida justa e há tempos esperada pelos profissionais.

No dia “vamos ver”, Japonês cedeu a vaga para a equipe da SEMAD dançar a valsa e viajou para Brasília. Com mais 15 dias de fôlego, o prefeito mostra que realmente não tem interesse em melhorar a vida do servidor público, e reduz os sonhos dos profissionais em ter mais dignidade a pó.

O presidente do SINDSUL, Wanderley Ricardo Campos foi enfático à equipe de reportagem desta página eletrônica ao dizer que não aceitaria mais discussões sobre o PCCS, pois todas as propostas já estavam amplamente discutidas.

Agora, pelo jeito, Wanderley terá que regredir nas etapas e tentar buscar novo diálogo com a administração a fim de garantir a aprovação do PCCS. Enquanto isso, Japonês goza de mais tempo sem ter que tomar uma decisão sobre o assunto. Até lá, ele segue numa boa. Já os servidores…

Esfarrapada

Segundo pessoas que estavam na reunião entre Japonês e o sindicato, o prefeito teria dito que não poderia aceitar o PCCS porque a arrecadação do município ainda é baixa. Japa foi, no mínimo, esperto de mais ao usar essa desculpa. Isso porque o município de Vilhena é o segundo maior em arrecadação no estado, perdendo apenas para a capital, Porto Velho. Logo, dinheiro tem. O que falta é gestão. O próprio Japonês disse isso.

E vem mais dinheiro

A declaração de Japa esbarra em fatos (alguns criados por ele mesmo) que são bons contra-argumentos para dar continuidade a uma boa discussão de nível econômico. O próprio prefeito reajustou o IPTU do município, fato que irá aumentar significativamente a arrecadação. Outras taxas cobradas pela prefeitura também dão um incremento na receita de Vilhena, isso sem contar a arrecadação de impostos que vem das grandes lavouras de soja, milho e agora algodão do município, o combustível tributado, entre outras coisas que fazem o município ter muito dinheiro.

Prefeito está investindo em asfalto para endossar sua reeleição

Contraditório

O próprio prefeito Eduardo Japonês em campanha bradava em todos os cantos da cidade que o município tinha dinheiro, o que faltava era gestão. Pois bem, mais uma vez o prefeito de Vilhena dá uma prova de que falar é fácil, agora cumprir o que prometeu é bem mais difícil.

Contraditório II

Ainda refletindo sobre a declaração do prefeito para tentar minar de vez os servidores municipais, surge um questionamento interessante: como o prefeito de Vilhena diz que não tem dinheiro parra garantir melhorias aos servidores municipais, mas pede autorização da câmara de vereadores para fazer empréstimo de R$ 70 milhões destinados a obras para endossar sua candidatura à reeleição?

Contraditório III

O próprio prefeito Eduardo Japonês comprometeu R$ 8 milhões de recursos próprios pra dar continuidade às obras de infraestrutura iniciadas pelo então prefeito Zé Rover (PP). Os projetos contavam com um saldo de R$ 15 milhões, e a injeção financeira de Japonês neste trabalho é comprovada nas licitações realizadas pela prefeitura. Mais uma vez: há dinheiro!

Arrecadação de Vilhena é a segunda maior do estado de Rondônia; Aumento de impostos promovido por Japonês irá aumentar ainda mais o volume de recursos próprios do município

Mais contraditório

Além de maestria na arte de enrolar os servidores, o prefeito também vem se mostrando bastante contraditório em suas medidas gerenciais. A publicidade da prefeitura realiza diversas ações para mostrar que Japonês é um grande administrador, pelo menos nas manchetes de jornais. Uma das ações de marketing utilizadas para Japonês se vangloriar é justamente no sentido econômico.

Veja que interessante…

…Seus marqueteiros anunciaram com pompa e circunstância que ele enxugou a folha e 50% da arrecadação é destinado para pagamento de salários, fato que gerou economia de recurso. A lei prevê que até 54% da arrecadação pode ser utilizada com folha. Diante de mais essa incoerência, fica a pergunta: como não há dinheiro se o próprio prefeito vem bradando aos quatro cantos que está promovendo economia de recurso?

Fecha a conta

Diante da declaração de Japonês de que não há dinheiro, chega-se a uma conclusão: realmente o que está faltando em Vilhena é gestão, como ele mesmo dizia em campanha. Enquanto o prefeito ilude os servidores com balela, o tempo passa, a promessa já ficou para o ano que vem – que talvez não possa ser implementado o PCCS por questões de ordem legal – e a tão esperada valorização dos servidores pode ser que fique pra outro momento. No final, o município que é o segundo mais rico do estado, continua mantendo à míngua aqueles que carregam seus rechonchudos governantes nas costas.

 Saideira

Comenta-se que a estratégia do prefeito seja enrolar o que der para aprovar as melhorias salariais aos servidores, de forma que o benefício que for concedido será parcelado e o mais oneroso será saldado no próximo mandato, sendo o gestor ele – caso consiga se reeleger – ou outro. Mas a reeleição dele depende dos asfaltos executados.

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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