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Caso de menina de 1 anos e 9 meses internada no HR vai parar no judiciário; família reclama de unidade

Embora diagnóstico seja de pneumonia e líquido nos pulmões, ela é considerada suspeita de estar com Covid-19

A internação de uma menina de 1 ano e nove meses no Hospital Regional de Vilhena foi parar na justiça nesta sexta-feira, 3. De acordo com a avó da garotinha, o motivo pelo qual a família decidiu procurar o judiciário é a possível necessidade de uma transferência ao Hospital Regional de Cacoal. A história, no entanto – e de acordo com a família, começou há cerca de dez dias.

A avó da menina disse em entrevista à Gazeta Amazônica que a neta começou a apresentar um quadro de febre. A menina foi levada pela mãe à Unida de Pronto Atendimento (UPA) e na unidade o diagnóstico foi de gripe. “Acontece que a febre permaneceu e ela passou a ter falta de ar. Fizemos inalação, mas não foi suficiente”, relembra a avó da menina.

Na última vez que a criança foi levada à UPA, de acordo com a avó, foi feito um raio-x e o médico que atendeu a paciente disse que o quadro clínico dela era estável. “Os sintomas continuaram e nós decidimos leva-la ao Regional”, relembra.

A menina deu entrada no Regional na quarta-feira, 1, por volta das 9:30h. A avó relatou que a família teve três posicionamentos médicos diferentes: “No primeiro momento fomos atendidos normalmente na emergência. Em seguida a menina foi levada ao isolamento. O pediatra que nos atendeu em seguida disse que a minha neta estava com pneumonia e que os pulmões estavam carregados, mas que o tratamento adequado para a doença é em Cacoal”, contou.

Na noite do mesmo dia, segundo relembra a avó, outro médico que assumiu o plantão relatou que não é necessário fazer a remoção da criança. “O último médico que conversou com a gente disse que era preciso fazer uma drenagem do líquido presente nos pulmões e encaminhar as amostras ao laboratório. Porém até agora nada foi feito”, reclama a avó.

Coronavírus

Hospital Regional de Vilhena é a maior unidade de saúde da região – foto: Arquivo

Na manhã desta sexta-feira, 3, a história começou a circular nos corredores do Hospital Regional. Alguns profissionais da saúde ouvidos pela Gazeta Amazônica relataram que a criança chegou à unidade em estado crítico. “A criança chegou com saturação 84 %, Frequência Cardíaca 140; FR mais 28 e ficou em isolamento juntamente com o indígena (que morreu com suspeita de Covid-19). Algumas partes do protocolo nacional pra Covid-19 não foram seguidos”, disse um profissional da saúde que estava no hospital no momento em que a criança chegou.

O mesmo profissional disse que a criança está com derrame pleural – o que foi constatado por tomografia, segundo ele. À imprensa, contudo, a assessoria de comunicação da prefeitura de Vilhena afirmou que o quadro clínico da criança é estável e que o diagnóstico é pneumonia e presença de líquido no pulmão. “No entanto, o quadro é estável, com catéter e oxigênio, porém, sem esforço respiratório”, diz trecho da nota.

A menina, de acordo com a assessoria de comunicação foi enquadrada como um caso suspeito de Covid-19 porque seu tio, morador de Cuiabá (MT) veio a Vilhena e, de acordo com a prefeitura, era um paciente com suspeita da doença. “Alguns dias depois a criança apresentou sintomas e, assim, está em isolamento no Hospital Regional de Vilhena. A coleta foi feita ontem (quinta-feira, 2) e enviada para Porto Velho, que estima em 3 a 4 dias o prazo para entregar resultados”, garante a assessoria.

A família contra-argumentou a situação do tio dizendo que a menina já estava doente quando ele chegou a Vilhena.

E a transferência?

A equipe de reportagem da Gazeta Amazônica conversou com o diretor do Hospital Regional de Vilhena, Faiçal Akkari, sobre o assunto. Antes de dizer que ele não iria comentar o quadro específico, Faiçal disse que a menina não precisa ser encaminhada para o hospital de Cacoal, e que limitaria sua fala apenas à promotoria (justamente pelo fato de a família ter denunciado o caso). Questionada sobre o assunto, a avó da menina reiterou que procurou a justiça.

A assessoria de comunicação da prefeitura de Vilhena disse que os pediatras que atendem a criança consideram a possibilidade de drenagem de tórax por causa da pneumonia. A assessoria foi enfática ao afirmar que se o procedimento for realizado, aí será solicitada vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Cacoal. “Porém, no momento, não há necessidade de transferência da criança, que teve tomografia e demais exames realizados aqui mesmo”, diz nota.

 

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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