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Caminhoneiro que matou colega de profissão com pedra pega 17 anos

Ele a atirou com o carro em movimento; sua filha de dois anos e a esposa estavam com ele no veículo

O caminhoneiro Willians Maciel Dias, o “Javali”, de 32 anos, foi condenado nesta quinta-feira, 5, a 17 anos de prisão. Ele é réu confesso do assassinato do também caminhoneiro José Batistela, de 70 anos. Javali arremessou uma pedra contra o para-brisas do caminhão da vítima, matando-a logo em seguida. O autor do crime era contra o fim da greve dos caminhoneiros e na tentativa de se rebelar em desfavor à dissolução do movimento, decidiu atirar a pedra.

Segundo as investigações, ele e mais dois colegas estavam decididos colocar a ideia em prática. Os dois desistiram logo em seguida. Os advogados de Javali, atuaram no sentido de desclassificar o crime de homicídio doloso para homicídio culposo. Dimas Ferreira, um dos causídicos empenhados na defesa relatou que o cliente tinha como objetivo causar danos materiais ao veículo, não a morte do condutor.

Ainda assim, a acusação feita pelo promotor João Paulo Lopes, disse que no momento em que o autor do crime lançou a pedra, ele assumiu o risco do ato. A acusação destacou, ainda, que Javali teve duas oportunidades de desistir, mas preferiu dar cabo da ação.

Relembre os detalhes do crime:

Pedra foi lançada de carro em movimento – foto: Arquivo

Era 30 de maio de 2018. O país estava se recuperando de uma das greves mais caóticas de sua história moderna, a dos caminhoneiros. Naquele dia, um dos últimos pontos de manifestação em Rondônia, justamente no município de Vilhena, havia um grupo de caminhoneiros que não aceitava sob hipótese alguma retomar as atividades enquanto o Governo Federal não cedesse em relação ao preço do combustível.

No meio deste grupo, membro considerado da ala radical, Willians Maciel Dias, 32 anos, conhecido como “Javali” deixava o piquete de paralisação na companhia de mais dois amigos, além da esposa e a filha de dois anos. O grupo de motoristas deixou o ponto de manifestação com o intuito de causar danos materiais aos motoristas que estivessem na rodovia em retomada ao trabalho.

Os dois colegas desistiram do intento no meio do caminho. Eles acabaram ficando no posto União e tentaram dissuadir Javali de continuar com a atividade. Ele deixou o local e a esposa ainda tentou convencê-lo a desistir. Enquanto trafegava

José Batistela, 70 anos – foto: Álbum Pessoal

pela rodovia – sentido Porto Velho – viu um caminhão Mercedez Benz em sentido oposto. Com a mão esquerda, ele arremessou uma pedra contra o para-brisas do veículo.

Ela – a pedra – atingiu em cheio o rosto do também caminhoneiro José Batistela, de 70 anos. Ele morreu antes de receber o socorro. O dia era de caos, a morte agravara mais ainda as coisas e a Polícia Militar (PM) precisou utilizar munição antimotim pra arrefecer os ânimos no local. Repórteres chegaram a ser ameaçados e atacados por manifestantes.

As investigações acerca do autor do crime apontaram ao um Gol preto, que foi o veículo utilizado no durante o ataque. A pedra, de acordo com cálculos da perícia, pesava 1.8kg e com a velocidade do veículo de onde fora arremessada ganhou mais peso e força causando a tragédia.

Margarida Bastistela, esposa da vítima, ainda em luto, disse à imprensa que o marido estava há nove dias parado em Vilhena à espera da dissolução da greve a fim de seguir viagem. Segundo a viúva, ele estava ansioso pra retornar pra casa – em Jaru – porque na semana seguinte – da qual foi assassinado – seria o aniversário de 15 anos da filha. “Aquela pedra acabou com a minha família”, disse Margarida à época.

A mulher falou com a imprensa no dia 4 de julho e três dias depois Javali se entrega à polícia e assume autoria do crime.

Javali era considerado da ala radical do movimento grevista – foto: Álbum Pessoal
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Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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