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Quem você tem se tornado diante da covid-19?

Nesses últimos dias, nós, enquanto humanidade estamos atravessando um dos maiores desafios das nossas vidas. Do dia para a noite, fomos alertados sobre a existência de um vírus que em pouco tempo bagunçou a nossa rotina, tirou o nosso direito de ir e vir, nos afastou dos nossos entes queridos, nos colocou diante da nossa própria finitude e todos os dias tem nos feito experienciar sensações e sentimentos muito desagradáveis.

Embora, popularmente acreditamos que só vivenciamos o dor do luto diante da morte de alguém, a psicologia nos diz que não é bem assim, pois, também nos enlutamos diante da perda de nosso mundo presumido “planejado” e diante da possibilidade real ou imaginária de termos alguma perda no presente ou futuro.

Acompanhando as redes socias nos últimos dias, é possível observar o quanto nossa sociedade está em sofrimento, cada um a seu tempo e a seu modo, tem passado por essas fases de enlutamento. A primeira delas, é a negação, nessa fase é comum nos sentirmos entorpecidos e pensarmos da seguinte forma: “Isso só pode ser um pesadelo”, “não, isso não pode ser verdade”, “não estou acreditando que isso está acontecendo”, “isso não vai chegar aqui”. “Aqui em Vilhena vai ser diferente”.

Posteriormente quando começamos a perceber que essa realidade pode não estar tão distante assim, sentimos muita raiva e é muito comum nessa fase pensarmos que “isso não pode estar acontecendo”, “essas pessoas que viajaram para fora têm que ser punidas”, “não é justo pagarmos por eles”, “isso é mentira, estão enterrando caixões vazios”.

Surgem também expressões dessa raiva por meio da criação de grupos nas redes sociais para expor as pessoas que tem cometido “vacilos”, na tentativa de descobrir a identidade das pessoas que contraíra a doença, ofensas, acusações e quando nos damos conta já estamos brigando, maltratando qualquer pessoa que traga para nós essa dura realidade a ser enfrentada.

E é justamente nessa hora que precisamos parar e pensar: quem eu estou me tornando diante de tudo isso? A resposta dessa pergunta pode fazer muita diferença na sua vida, pois a maior verdade é que todos nós estamos sofrendo, todos nós não queríamos estar passando por tudo isso, todos nós estamos vivenciando o luto de nos vermos diante da necessidade de nos adaptarmos a essa nova realidade, onde contamos os dias de quarentena sem ter nenhuma certeza de quando eles chegarão ao fim.

A diferença é que podemos tornar esse momento um pouco menos difícil quando nos damos conta dos nossos sentimentos e os acolhemos, quando reconhecemos que somos humanos e que diante de uma situação tão difícil quanto essa é impossível não ficar ansioso, angustiado,  com medo, com raiva e que todas essas coisas que você sente são normais para o momento.

Olhando para seus sentimentos, você vai ter a oportunidade de ser alguém diferente, pois vai ser capaz de escolher conscientemente para onde você quer direcionar a sua energia. Você tem certeza que quer aproveitar o seu precioso tempo brigando, maltratando, tentando mudar o comportamento e o entendimento das outras pessoas nas redes sociais? Ou quer dedicá-lo a cuidar das coisas e das pessoas que de fato são importantes na sua vida? Pense nisso!

Se eu pudesse lhe dar um único conselho, eu diria: AME, a vida é agora!

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Diene Nepomuceno

Diene Nepomuceno. Graduada em psicologia e especialista em Terapia Cognitivo- Comportamental. Apaixonada pela sua profissão, tem se dedicado a ajudar as pessoas a transformar suas vidas por meio do autoconhecimento.

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