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Homem que matou casal de dentistas de Colorado do Oeste diz que agiu por desespero e isentou participação da esposa, diz policiais

Ainda não se sabe se os filhos do casal e a própria mulher tiveram participação

Aconteceu na manhã desta quarta-feira, 8, uma coletiva de imprensa através da qual as polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal apresentaram alguns detalhes relacionados à investigação e prisão do casal Nilmar dos Santos, 38, e Francineia Costa de Oliveira, 37, cujo marido confessou ter executado os dentistas Eldon Mai e Dionelia Giacometti, ambos casados e pioneiros do município de Colorado do Oeste.

O delegado de polícia, Núbio Lopes relatou que em depoimento o autor do crime explicou que a primeira a ser executada foi a dona Dionelia. Nilmar relatou que a intenção de matar as vítimas surgiu no sábado, 4, porém ele não colocou a ideia em prática naquele dia.

Já no domingo, por volta das 9h, Nilton relatou que comunicou a Dionelia um vazamento na pia da casa que havia alugado da idosa. “Sabendo que ela era uma pessoa bastante atenciosa, ele criou esta história para que ela entrasse no imóvel”, explicou o delegado de polícia. Dionelia foi atacada com um golpe de cabo de enxada.

O autor do crime pegou uma camiseta, amordaçou a vítima e a estrangulou com um cabo de nylon. Já morta, segundo relatos do autor do crime, ele decepou os dedos indicadores e polegares da vítima. O corpo foi escondido em um quarto do imóvel que, segundo Nilmar, não era utilizado pela família.

Utilizando-se da mesma estratégia, Nilmar atraiu um tempo depois Eldon à sua casa e o golpeou da mesma forma. Eldon foi amarrado e seu corpo colocado no mesmo cômodo onde o cadáver da esposa já estava. Ele também teve o pescoço amarrado por arame pelo autor do crime.

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Detalhes que levantaram suspeitas

O crime aconteceu no domingo, 5, e naquele mesmo dia a secretária do lar que trabalhava com o casal esteve na casa, pois fora convidada para almoçar com Dionelia e Eldon. O Major Carvalho, comandante do 3º Batalhão da Polícia Militar explicou que a testemunha achou estranho não ter ninguém na casa e ainda assim as portas estarem abertas, fogão acesso, dentre outros detalhes incompatíveis com a rotina das vítimas.

A secretária relatou aos policiais que achou estranha a situação e enviou uma mensagem ao celular de Dionelia. A resposta chegou horas depois, já no início da madrugada, e levantou ainda mais suspeitas.

O comandante do batalhão explicou que os erros de português cometidos na mensagem, de acordo com a secretária, não eram comuns da característica de escrita de Dionelia.

Autor do crime disse que colocou dedos da vítima no bolso e foi tentar sacar dinheiro do casal

Outro fator que ascendeu o alerta da secretária foi o fato de que, através da mensagem, Dionelia dispensara os serviços da secretária naquela semana sob a justificativa de que ela e o marido iriam para Pimenteiras do Oeste pescar.

A PM esteve no imóvel e constatou que os instrumentos de pesca do casal estavam todos na casa, os remédios que Eldon tomava também estavam no local e outros detalhes concluíram que o casal não estava em Pimenteiras.

Alerta máximo

A secretária do casal acionou a polícia na segunda-feira, 7, e imediatamente os agentes iniciaram as investigações. Todas as polícias da região estavam de sobreaviso e no início da operação acreditava-se que o casal estava em cativeiro, uma vez que o gerente do banco de Dionelia afirmou que havia movimentações em sua conta durante o período de sumiço do casal.

Por volta das 6h da terça-feira, 7, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) abordou o veículo de Dionelia e Eldon na base entre Vilhena (RO) e Comodoro (MT). Dentro do automóvel, os policiais encontraram três aparelhos celulares.

Nilmar relatou inicialmente que um dos aparelhos encontrados era dele e autorizou um dos policiais a manusear o equipamento. O aplicativo de mensagens WhatsApp estava desinstalado e o chip havia sido removido, contudo,  havia fotos de Dionelia  e seus familiares no aparelho. Outro policial encontrou no veículo um caderno contendo o passo a passo do crime.

Em conversa com os policiais, Nilmar acabou confessando a autoria da morte do casal e se dispôs a levar os policiais até os pontos onde havia enterrado os corpos das vítimas.

Afinal, qual foi o motivo do crime?

Autores dos crimes levaram os policiais até onde os corpos estavam – foto: NEDSC

Segundo Nilmar em depoimento, ele estava passando por uma crise financeira e não tinha condições de quitar o aluguel do imóvel onde morava com a família. Ele enviara os filhos para Vilhena  onde  estavam instalados em um hotel e ele não tinha dinheiro nem para pagar as diárias da hospedagem.

Desesperado, segundo ele, pensou na possibilidade de matar os idosos, pegar o dinheiro que o casal possivelmente tivesse dentro de casa e fugir.

Ainda em depoimento, Nilmar disse que revirou o imóvel do casal (depois de mortos) em busca de dinheiro e objetos de valor. Ele relatou que encontrou cerca de R$ 300, além dos cartões de crédito das vítimas e anotações das senhas dos cartões.

Ele contou, ainda, que a ideia de decepar os dedos de Dionelia teve como finalidade utilizá-los na leitura biométrica do caixa eletrônico do banco onde ela tinha conta.

Agiu sozinho

Nilmar relatou em todo momento que agiu sozinho, sem o conhecimento da esposa, Francineia Costa de Oliveira, 37 anos. Ele contou que no momento em que primeira vítima foi assassinada, a mulher estava fora de casa. Nilmar relatou, ainda, que os corpos foram escondidos em um cômodo que a esposa nunca entrara por não ser utilizado pela família.

Para cometer o segundo homicídio, ele pediu que Francineia fosse à rua comprar um isqueiro pra ele, tempo necessário para cometer o crime, segundo seu próprio relato. Assim que a esposa retornou pra casa, de acordo com Nilmar, ele a convidou para dar uma volta e ir ao banco porque tinha um dinheiro pra receber.

Ele disse que disfarçou e foi até o caixa do banco onde Dionelia tinha conta  para tentar sacar dinheiro utilizando os dedos da vítima que estavam no seu bolso. Nilmar contou,  ainda,  que não conseguiu sacar dinheiro e que voltou pra casa logo depois.

A esposa desconfiada, segundo ele, não indagou a mudança de comportamento. No final do domingo, Nilmar disse à mulher que Eldon teria lhe  emprestado o carro pra que a família fosse embora e que ele poderia devolvê-lo depois.  Por volta da meia noite, ele decidiu sumir com os corpos.

Alegando estar sozinho, ele colocou os cadáveres no porta-malas do veículo e seguiu por estradas vicinais.

O primeiro corpo a ser ocultado foi o de Dionelia a cerca de 60 quilômetros de Colorado do Oeste entre o município de Corumbiara e o distrito de Alto Guarajus.

O corpo de Eldon foi enterrado já numa região pertencente ao município de Chupinguaia. Segundo relatos da polícia, Nilmar chegou em sua casa  novamente por volta  das 3:40h e pouco tempo depois  pegou a mulher e a filha de dez anos e seguiu para Vilhena.

Pela manhã ele mandou lavar o automóvel para em seguida continuar a viagem. No hotel  onde eles estavam, o filho mais velho também estava  hospedado com  a namorada de 17 anos. Um terceiro filho do casal, de 16 anos foi encontrado pela polícia em Campo Novo dos Parecis (MT). Ele tomou um taxi em Vilhena.

Co participação

Dionelia e Eldon eram muito conhecidos na região – foto: Álbum Pessoal

 

Ainda não se sabe se os filhos maiores do casal participaram ou tinham conhecimento do crime. O delegado de polícia Núbio Oliveira explicou que toda a operação aconteceu de forma muito rápida e os pormenores da investigação estarão a cargo da delegacia de polícia civil de Colorado do Oeste.

Esposa

A esposa de Nilmar, Francineia, tinha um mandado de prisão em aberto contra ela por crime de tráfico de drogas no município de Guajará-Mirim. Quando foram abordados pela PRF, Francineia disse que tinha perdido seus documentos e chegou a dar outro nome aos policiais, que encontraram na revista ao veículo os documentos da mulher, constatando sua mentira.

O caderno com o passo a passo do crime pertencia à filha do casal. A garotinha relatou que o caderno era seu, mas que sua mãe o havia pego e quando devolveu o  roteiro do crime estava escrito. Nilmar relatou que a mulher apenas escreveu o roteiro a seu pedido quando estava embriagado antes de cometer os crimes, e que, mesmo desconfiada escreveu  o que ele havia pedido.

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Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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