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Tabelamento do MAPA deixa preço mínimo do café de RO com o menor valor do país

Ministério minimiza dizendo que medida é apenas um tabelamento do produto

O posicionamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) acerca do reajuste do preço mínimo da saca de café no país, deixando de fora o estado de Rondônia deixou em alerta a classe de produtores, bem como os representantes políticos do estado em nível nacional. A portaria número 66 do ministério reajustou 15,31% o preço mínimo do café Conilon do Brasil para a safra 2020/2021, prevista para iniciar em abril.

A portaria foi enfática em tabelar o preço mínimo em todo território nacional, com exceção do estado de Rondônia. Para a próxima safra, o café Conilon tipo 7 passará, em todo Brasil, de R$ 210, 13 para R$ 242.31. O posicionamento do MAPA em relação ao assunto movimentou a bancada federal de Rondônia.

Preços mínimos em favor dos produtores

Em explicação aos produtores, o Diretor de Comercialização e Abastecimento do MAPA, Silvio Farnese fez questão de ressaltar que este preço estabelecido não afeta os valores praticados no mercado. O que o MAPA fez foi apenas criar um valor mínimo – uma espécie de piso – para a produção da cultura.

O Secretáro de Política Agrícola, Eduardo Sampaio, enfatizou, ainda, que este valor não reflete a realidade dos preços praticados na cultura do café (atualmente o valor da saca gira em torno de R$ 280) e que o preço do produto não caiu. “Este é o valor que vai balizar o governo numa eventual queda do preço do café”, explicou. Eduardo Sampaio relatou, ainda, que ninguém espera que o preço da saca chegue a este nível e que não há sequer possibilidade de comercialização nesta margem.

“O preço ficou diferente porque o produtor de Rondônia é muito eficiente. O custo médio no estado é menor do que no Espirito Santo, por isso essa diferenciação entre os dois preços mínimos”, explicou o secretário.

Eduardo foi enfático, ainda, ao garantir que o preço do café de Rondônia não está depreciado. “Reflete uma competitividade média superior em relação ao Espirito Santo”, arrematou o secretário.

Investimentos na área

Deputado também vem questionando o MAPA sobre o assunto – foto: Psd.org

Em conversa com a assessoria do deputado federal Expedito Netto (PSD) a equipe de reportagem do site Gazeta Amazônica foi informada de que o parlamentar esteve reunido com os representantes do MAPA para saber mais detalhes acerca do assunto. O deputado anunciou, ainda, que serão entregues quase 63 secadores de café em todas as associações relacionadas à cultura do estado de Rondônia.

O parlamentar relatou, ainda, que já foram destinados mais de R$ 6 milhões de suas emendas para investimentos na cultura do café e que mais recursos estão sendo canalizados para o setor.

O receio que vem das lavouras

Para Ivanildo Maia, redução do preço gera desânimo no campo – foto: Divulgação

A equipe de reportagem da Gazeta Amazônica conversou com o Gestor de Projetos e alinhador de produção de grãos, dos escritórios Licenciar, Ivanildo Maia, que é um dos especialistas no assunto no interior do estado. Ele disse que o receio que vem dos campos é o desânimo que esta modificação pode causar.

“Anteriormente Rondônia produzia menos ocupando uma área cultivada bem maior. Agora produzimos mais, com uma área menor. Isso foi um esforço da agricultura familiar. Essas famílias do campo, em vez de serem recompensadas pelo investimento, são penalizadas pelo Ministério da Agricultura”, observa.

Do seu ponto de vista, a manutenção de um preço baixo pode gerar prejuízos ao estado e a comunidade de um modo geral. “Estamos falando do preço mínimo pago ao produtor. O que acontecerá é que, nesta condição, o atravessador virá até Rondônia, comprará barato e fornecerá às grandes empresas. O dinheiro que deixará de entrar em impostos poderia beneficiar a população em geral. E o pequeno produtor gasta o resultado da colheita no próprio Estado”, defende.

Rondônia é praticamente punido pelo MAPA, diz senador

Senador repudiou posicionamento do MAPA – foto: Divulgação

Membro titular da comissão de agricultura do Senado Federal, o Senador Acir Gurgacz (PDT) se posicionou contrário ao Ministério da Agricultura em relação à portaria número 66. Através de sua assessoria, o parlamentar disse que a princípio a situação causa estranheza. Ele informou que foi encaminhada uma carta solicitando informações precisas do MAPA em relação ao assunto, mas que desde já repudia o fato de Rondônia ter ficado de fora do nivelamento do preço mínimo do café.

Está prevista uma manifestação pública por parte do Senador diretamente da tribuna do Senado sobre o assunto. A assessoria de Acir explicou, ainda, que o parlamentar está organizando reuniões junto à Câmara Setorial do Café na busca pelo reconhecimento oficial d qualidade de produção do estado em relação a cultura em tela.

O senador disse, ainda, que o estado não pode ser penalizado com este nivelamento, justamente pelo fato de ter feito um investimento pesado no setor, tanto no que diz respeito à pesquisa quanto a estruturação da cultura de um modo geral. “Ao invés de ser premiado, Rondônia é praticamente punida pelo MAPA com este posicionamento”, diz nota do senador.

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Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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