Especial

Servidores dos Correios em Vilhena aderem à paralisação nacional

Greve é por tempo indeterminado

A reportagem do site Gazeta Amazônica esteve na manhã desta quarta-feira, 11, na unidade dos Correios em Vilhena, onde servidores do setor de correspondências e encomendas aderiram à greve   nacional por tempo indeterminado.

De acordo com o representante da classe da unidade de Vilhena, Valcir da Silveira, o motivo da greve é porque a categoria quer impedir a redução dos salários e de benefícios, e é contra a privatização da estatal, que foi incluída no mês passado no programa de privatizações do governo Bolsonaro.

Segundo Valcir a greve foi decidida após a classe não chegar a um acordo com a estatal em Brasília. Com isso os trabalhadores de todas as agências optaram por aderir à greve.

O representante disse ainda que outro dos motivos da greve é a campanha salarial e a falta de acordo entre os funcionários e os Correios.

“Os anseios da nossa classe merecem ser atendidos. Necessitamos de mais contratações, melhorias nas agências para atender os clientes, retorno da distribuição diária, entre outras coisas. Além disso, a categoria é contra a privatização da estatal, que é um desejo do presidente Jair Bolsonaro”, concluiu.

 

Líder sindical explica detalhes da greve e diz que trabalhadores querem apenas manter benefícios já conquistados

Servidores são contra privatização e dizem que Correios dão lucro ao governo – foto: Divulgação

 

Através de áudio enviado pelas redes sociais, o representante sindical da unidade de Vilhena, Valcir da Silveira, apresentou à população mais detalhes acerca dos motivos que levaram o grupo a iniciar o movimento grevista.

Ele foi enfático ao dizer que o Governo Federal e os representantes dos Correios não aceitam manter os benefícios que já são pagos às categorias e que ameaçam “cortá-los” na tentativa de reduzir custos.

Valcir explicou, ainda, que todos os anos, o sindicato se reúne com a diretoria dos Correios e Governo Federal a fim de iniciar as renegociações anuais de renovação de benefícios trabalhistas, e neste ano a equipe gestora dos Correios não aceitou renovar os acordos. “Não queremos mais benefícios. Queremos apenas garantir o que já conquistamos”, disse o representante sindical.

Quanto ao posicionamento contrário dos servidores em relação à privatização dos Correios, Valcir relembrou que a empresa tem mais de 350 anos de atuação no Brasil e contra-argumentou as declarações do Governo Federal em desfavor da empresa.

Segundo o representante sindical, os Correios – diferentemente do que é pregado pelo Governo Federal – garante lucro financeiro e até realiza repasses anuais ao Governo Federal.

Valcir relatou, ainda, que por força de lei, a empresa deve manter unidades de atendimento em todos os municípios brasileiros – são mais de 5 mil – e em alguns distritos como forma de atender toda população. “Se uma empresa privada estiver gerenciando, é óbvio que muitas unidades serão fechadas. Nós tememos que os Correios seja reduzido a aproximadamente 200 municípios que dão mais retorno financeiro à empresa”, explicou.

Em relação à Postalis, que é o plano de previdência privada da empresa, o líder sindical vilhenense também rebateu as declarações do Governo Federal de que é a população que está pagando pelo rombo causado neste setor. Valcir desmentiu a informação e relatou que são os próprios servidores dos Correios que estão arcando com o “furo” na previdência deles mesmos. “Inclusive todo mês é descontado uma porcentagem dos nossos salários que é justamente para cobrir este rombo”, garante.

O líder sindical termina o áudio pedindo desculpas à população, agradecendo aos apoios que o movimento grevista vem recebendo e disse que os trabalhadores não queriam fazer a greve, mas que foi necessário. “Muitos de nós vamos ter os dias de paralisação descontados, outros terão que repor as horas, mas não podemos aceitar a perda de benefícios já conquistados. Temos um compromisso com as nossas famílias e não podemos simplesmente abrir mão”, concluiu.

 

 

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo