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Família de mulher que morreu no Hospital Regional vai entrar na justiça contra município

Ela passou a semana percorrendo unidades de saúde municipais e acabou morrendo em decorrência de uma parada cardíaca

A equipe de reportagem da Gazeta Amazônica conversou com exclusividade com a família da auxiliar administrativa, Renata Lima dos Santos, 30, que morreu na noite desta quarta-feira, 11, no Hospital Regional. A causa morte de Renata, de acordo com seu atestado de óbito, foi dengue hemorrágica. Ainda abalada com a situação, a família relatou que vai mover uma ação judicial contra a prefeitura de Vilhena por acreditar que houve negligência no caso da moça, que era casada e tinha uma filha de oito anos de idade.

A irmã de Renata, Luana Maria Lima dos Santos, relembrou a trajetória da semana até o resultado trágico. De acordo com ela, Renata procurou o Hospital Regional na segunda-feira, 9. Ela sentia dores pelo corpo, tomou uma medicação para retirar a dor e em seguida foi liberada. Luana relatou que após chegar em casa, a irmã continuou passando mal. Na terça, ela procurou a Unidade Pronto Atendimento (UPA) onde também recebeu medicamentos para acabar com a dor.

“Na terça à noite, por volta da meia noite, ela retornou ao Regional. Recebeu medicamento e foi liberada às 6h do dia seguinte”, relembrou Luana. Por não ter sido recomendado nenhum tipo de exame, Renata deixou a rede pública municipal de saúde e procurou um laboratório particular para a realização de um hemograma.

No meio dia da quarta-feira, ela retornou ao Regional onde novamente recebeu, segundo familiares, medicamento para dor. “O hospital estava lotado, ela reclamava de muitas dores e não conseguiu sequer uma cama pra deixar. Uma médica que estava de plantão e percebeu a situação leu os exames que ela tinha feito e constatou que a Renata estava com as plaquetas baixas”, contou Luana.

Auxiliar administrativa era casada e deixa uma filha de 8 anos – foto: Álbum pessoal\Facebook

Luana relembrou que os últimos momentos com a irmã ainda com vida foram terríveis. “Ela sentia muita dor, chegou a gritar algumas vezes e chorava muito. Saí pelo hospital na tentativa de conseguir uma cama porque ela disse que não estava aguentando mais. Ela sentia muita dor na barriga”, contou.

Luana contou que ao retornar onde sua irmã estava, percebeu que ela apresentava falta de ar e acabou tendo uma parda cardíaca em seus braços. “Ela só pedia uma cama pra se deitar”, relembra. Neste momento, segundo Luana, a equipe médica a levou para a sala vermelha e de acordo com os profissionais envolvidos no caso – em conversa com a família – Renata foi reanimada duas vezes e quando retornou foi colocada em coma induzido.

“Um dos médicos chamou a família e disse que ela tinha apenas 1% de chance de vida, e mesmo que sobrevivesse, teria sequelas graves. Ela estava inchada, a boca já apresentava sinais de paralisia”, disse a irmã.

O principal questionamento da família em relação à tragédia foi a falta de um encaminhamento médico para a realização de exames a fim de buscar um diagnóstico preciso logo na primeira vez em que ela esteve na unidade de saúde.

“Por que não fizeram solicitação de exames pra saber o que a menina tinha?” questionou o pai de Renata, Francisco Galvão dos Santos. Ele relatou que profissionais que trabalham no hospital explicaram à família que o processo de reposição de plaquetas só é feito na capital, Porto Velho. “E por que então não transferiram ela pra lá? Que morresse no meio do caminho, mas pelo menos tentassem salvá-la”, indaga o pai indignado.

A irmã de Renata fez um agradecimento aos profissionais que ajudaram a paciente no momento da parada cardíaca. “Só temos a agradecer os médicos e os enfermeiros que nos ajudaram naquela quarta-feira. Eles foram muito eficientes e profissionais. Nós só não entendemos por que não solicitaram exames pra ela na segunda, no primeiro momento em que deu entrada no hospital. Talvez o final teria sido diferente”, lamenta.

 

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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