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Mesmo com funcionários de férias e seguindo regras de higiene, comerciante vilhenense toma multa por atender clientes durante vigor de decreto

Muitas empresas do município atendiam no mesmo formato

Um comerciante do município de Vilhena procurou a redação da Gazeta Amazônica para relatar um constrangimento que sofreu, segundo ele por parte de um fiscal da Secretaria Municipal de Planejamento (Semplan) em decorrência do decreto publicado pelo prefeito Eduardo Japonês (PV) o qual restringe o funcionamento de parte do comércio no município em decorrência da pandemia do coronavírus.

De acordo com ele o fato aconteceu na terça-feira, 7. O comerciante, que é proprietário de uma loja de artigos militares, estava atendendo um bombeiro que está indo para um curso no dia 29 de abril. Ele (o comerciante) relatou que o fiscal entrou na sua loja e determinou o fechamento da empresa alegando o prazo estipulado pelo decreto do prefeito.

O comerciante contra-argumentou dizendo que não estava atendendo ao público em geral, e que seus atendimentos estavam restritos aos profissionais da segurança pública, que não paralisaram suas atividades em decorrência da pandemia.

“Eu dei férias para todos os meus funcionários e estamos trabalhando apenas eu e minha esposa. Estamos seguindo com todo rigor de higiene, há uma grade que permanece fechada o tempo todo. Além de oferecermos produtos para assepsia das mãos, temos um banheiro com sabonete líquido e toalhas de papel. Ainda assim não podemos trabalhar?” questionou o comerciante.

Ele disse, ainda, que o próprio bombeiro que estava na loja no momento da “batida” do fiscal argumentou dizendo que os artigos vendidos pela empresa são necessários para o trabalho dos militares, porém, segundo o comerciante, o fiscal não entendeu a situação e determinou o fechamento das portas.

“Fui autuado porque estava trabalhando seguindo todas as regras de higiene. Mas o pior foi que depois disso outros quatro fiscais passaram no local para certificar que a loja estava fechada”, contou.

Incoerência

O comerciante relatou, ainda, que criticou a incoerência da blitz, pois segundo ele, diversas empresas na redondeza onde funciona a sua firma estão trabalhando normalmente, porém apenas a dele foi autuada e recebeu a visita do fiscal. “Ele alegou que foi uma denúncia”, relembra.

O fato que deixou o comerciante transtornado foi uma ligação que segundo ele o fiscal fez para o contador da empresa.

“Ele recomendou ao meu contador que me orientasse a fechar as portas, do contrário chamaria a polícia pra me prender se eu não aceitasse a situação e ainda caçaria meu alvará. Isso é um absurdo”, lamentou.

O comerciante relatou que tem cinco funcionários e que todos os seus impostos estão em dia. “O prefeito e os fiscais não entendem que um CNJP caçado gera desemprego? Não conseguem entender a situação dos comerciantes? Eles deveriam agir com mais respeito, com prudência e entender que nós não somos bandidos, estamos trabalhando e no meu caso a empresa dá suporte justamente aos policiais que estão na rua garantindo a nossa segurança”, relatou.
Outros casos

O caso do comerciante não é o único em Vilhena. Diversos empresários que estão trabalhando seguindo as regras de distanciamento, com portas fechadas e até mesmo sem funcionários (ainda assim estão em dissonância com o decreto das portas fechadas determinado por Japonês) foram autuados por fiscais da prefeitura.

“Em tempos como esse que não sabemos o que esperar do futuro, a prefeitura trabalha enxergando os empresários como inimigos, esquecendo que somos uma base forte da economia do município. Estão nos tratando com desrespeito e esquecendo que o momento é de união”, disse um empresário que foi autuado, mas preferiu não contar sua história por, segundo ele mesmo, ser amigo do próprio prefeito.

O site deixa espaço à prefeitura caso tenha interesse em comentar a situação.

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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