DestaqueEspecial

Coronavírus: o prefeito que pede fim de aglomerações é o mesmo que mantém feira livre em Vilhena

É preciso se decidir: ou se organiza contra o Coronavírus, ou acaba de uma vez com o estado de alerta

Já à sombra do Coronavírus, o município de Vilhena está às voltas com a execução de estratégias a fim de reduzir possíveis casos da doença. As maiores secretarias que compõem o poder executivo (saúde, educação, assistência social, dentre outras) estão adotando medidas extremas para que a pandemia não cause estragos entre a população como tem causado em outras sociedades mundo a fora. A própria prefeitura confirmou que a Secretaria Municipal de Saúde (Semus) está monitorando – até o fechamento desta matéria, às 2h do dia 19 de março – quatro casos suspeitos da doença, que são considerados suspeitos porque os exames para constatar, ou não, a presença do vírus ainda não foram concluídos. Até que isso aconteça, pessoas estão em quarentena sendo mantidas em isolamento, causando transtornos em vários aspectos.

A prefeitura de Vilhena alarmou a população anunciando a possível chegada do Coronavírus. O próprio prefeito Eduardo Japonês (PV) e sua equipe foram à público pedir que a população colabore e evite sair de casa, além de não permanecer em locais onde há aglomeração de pessoas. O prefeito e sua equipe pediram – e obtiveram resposta positiva da população. As aulas foram interrompidas, pessoas já andam de máscaras pelas ruas e o assunto principal na cidade é um só: Coronavírus.

Diversas equipes do município estão trabalhando em estado de alerta em várias frentes: para combater fake news, visitando casas para contribuir com a redução de pessoas na rua e nas unidades de saúde, fazendo atendimentos psicológicos por telefone, reduzindo atendimentos nos órgãos, enfim… O Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia (TJ-RO) está reduzindo a carga-horária com o objetivo de reduzir o fluxo de pessoas por suas dependências estado a fora. Igrejas cancelaram suas atividades. O Governo do Estado está fechando as portas de seus órgãos a fim de reduzir a movimentação de pessoas.

Secretário de agricultura esteve na coletiva de imprensa em que o prefeito anunciou o 1º caso suspeito do município, bem como o cancelamento de eventos tradicionais do município – foto: Rômulo Azevedo/Gazeta Amazônica

 

Na contramão de toda sociedade está a Secretaria Municipal de Agricultura (Semagri). Contrariando as recomendações determinadas pelo próprio prefeito (evitar aglomerações, não manter idosos na rua, etc) a pasta realizou nesta quarta-feira, 18, a tradicional feira do bairro Cristo Rei, que acontece na Avenida Melvin Jones. O encontro reúne dezenas de feirantes – alguns muitos idosos que compõem o grupo de risco da doença – além de inúmeros munícipes. Todos muito próximos uns dos outros, se cumprimentando, conversando sem nenhum tipo proteção, contrariando todas as recomendações expedidas pela própria prefeitura.

Em que pese o fato de não haver, ainda, nenhum caso confirmado da doença em Vilhena, a falta de sensatez da Semagri neste momento trouxe para as ruas idosos e centenas de pessoas que circularam tranquilamente pela feira do Cristo Rei. Sem contar a falta de respeito da pasta com as equipes da própria prefeitura que estão em campo tentando conscientizar a população acerca da importância da prevenção contra o vírus a fim de evitar problemas maiores. O posicionamento da secretaria traz questionamentos dos mais variados. Por que a educação pode interromper as aulas sob a justificativa de reduzir aglomerações de pessoas e a Semagri pode realizar feira com objetivo, contrário, movimentando inúmeras pessoas?

As políticas de prevenção desenvolvidas pela prefeitura são mesmo eficientes? A população deve ficar alarmada ou pode transitar livremente pela feira? Quem é que manda de fato na Semagri, o prefeito ou o secretário pré-candidato a vereador? Quais servidores estão corretos, aqueles que estão insistindo na prevenção ou a secretaria que continua executando suas atividades sem o menor receio ou responsabilidade social?

A dissonância entre as secretarias escancara a falha estratégica do prefeito de Vilhena, que com uma mão alerta, mas com a outra ignora qualquer tipo de ação social integrada de prevenção. A Gazeta Amazônica solicitou informação acerca do motivo pelo qual a feira do Cristo Rei foi realizada mesmo com a cidade (e o mundo) toda em alerta. A prefeitura prometeu o envio de uma nota explicativa, porém até o fechamento desta matéria o pronunciamento oficial sobre o assunto não havia sido enviado.

 

Rede municipal, estadual e particular de ensino interromperam as aulas para evitar movimentação de pessoas, enquanto Semagri busca objetivo contrário – Foto: Rômulo Azevedo/Gazeta Amazônica

Neste caso, prefeitura, não dá pra alegar, sequer, falta de conhecimento acerca do assunto, pois o titular da Semagri, Jair Dornelas, estava presente na coletiva de imprensa que o prefeito convocou no domingo, 15, para anunciar as medidas de prevenção contra o Coronavírus, e principalmente o cancelamento de eventos tradicionais. O secretário sabia das medidas e ainda assim (mais uma vez) atua de modo dissonante das políticas públicas desenvolvidas pelo seu chefe maior.

O site, diferentemente de seu posicionamento habitual, não vai deixar espaço aberto à prefeitura para se pronunciar acerca do assunto. A sugestão é que o Executivo utilize o tempo que levaria para tentar justificar o injustificável para rever suas estratégias e chegar a um consenso: ou se organiza contra o Coronavírus, ou acaba de uma vez com o estado de alerta. Como já foi moda um dia pela internet: #ficaadica.

 

Etiquetas

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

Artigos relacionados

Fechar