O dia

“Terei que sair do emprego”, diz mãe que busca vaga para filha em creche

Pais do bairro Barão do Melgaço III, em Vilhena, sofrem com a dificuldade de matricular os filhos

Pais de alunos moradores do bairro Barão do Melgaço III estão reclamando da dificuldade em conseguirem vagas para os filhos nas escolas públicas tanto do município quanto do estado. A reclamação é geral principalmente entre as mães, que geralmente estão diretamente engajadas na criação dos filhos. No grupo de relacionamentos do bairro, é comum relatos de pessoas insatisfeitas e preocupadas com a dificuldade em se conseguir vaga para os filhos.

A refiladeira Laudicéia Inácio Gonçalves relata que percorreu diversas escolas que oferecem o 7º ano para tentar matricular a filha, porém conseguiu apenas na escola Wilson Camargo, que fica do outro lado da cidade. “Não aceitei a vaga porque é muito longe e o ônibus escolar que pega as crianças não atravessa a rodovia. Se tornaria inviável levar minha filha pra estudar lá”, comenta.

Laudicéia conta que a filha ainda não está matriculada, e diante do problema profissionais lotados na escola Maria Arlete Toledo disseram que vão tentar matricular sua filha na escola até o dia 14. “Vou aguardar o prazo que me deram. Se não conseguir a vaga, vou ao Ministério Público”, declarou.

Já a manicure e design de sobrancelhas, Sirley Almeida de Oliveira Neves, corre o risco de ser obrigada a abandonar o emprego por não conseguir vaga para a filha de três anos em uma creche. Ela explica que a garotinha ficava sob os cuidados da avó até o ano passado. Por questões de saúde, ela – a avó – terá que ir embora para Cuiabá (MT) e a criança não tem mais com quem ficar.

Sirley conta que tentou vagas nas três creches mais próximas ao bairro: Nina Paul, Omar Godoy e Abílio, na Avenida Paraná. “Nenhuma delas tem vagas. Essas creches são ideias para quem mora no Barão porque o ônibus passa para levar as crianças. Ainda assim não temos local adequado para que elas possam esperar. Então na época da chuva, é sol quente. E quando chove, temos que improvisar para as crianças não ficarem na chuva”, relatou.

A manicure conta, ainda, que seu trabalho ajuda na renda família da família – ela tem outra filha de oito anos – mas com a falta de ter com quem deixar a caçula, o jeito é sair do trabalho pra poder garantir a segurança da filha.

A equipe de reportagem do site Gazeta Amazônica entrou em contato com o secretário municipal de educação, Clésio Cássio para comentar o assunto. Até o fechamento desta reportagem ele não havia respondido à mensagem. Entretanto, o site deixa espaço para que ele – caso queira – apresente a versão do município.

A equipe de reportagem também tentou contato com a equipe da Secretaria de Estado da Educação (SEDUC) para tentar saber mais a respeito da possível falta de vagas, mas não obteve êxito. Ainda em tempo, o espaço está aberto à SEDUC para comentar sobre o assunto.

MADRUGADA A DENTRO

Outro problema que já foi relatado pelo site Gazeta Amazônica foi justamente o fato de pais terem que dormir nas filas das escolas para poder garantir vaga aos filhos. Uma moradora do mesmo bairro disse que chegou na fila às 5h da manhã, mas segundo ela as vagas haviam acabado uma hora antes. “Consegui uma vaga pra minha filha na Nina Paul, mas fica fora de mão do meu trabalho. Infelizmente sai completamente fora da minha rota”, disse outra mãe de aluno.

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