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“Não foi legítima defesa”, conclui investigação de briga entre caminhoneiros e comerciante

Delegado aponta elementos robustos que comprovam o caso; comerciante morreu no local

A Polícia Civil do município de Vilhena convocou uma entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 26, para apresentar o final da investigação da morte do comerciante Edemilson Gomes dos Santos, conhecido como “Cabelo”, que foi morto a tiros na noite do dia 11 de maio deste ano dentro do seu restaurante, que fica na BR-364 a cerca de 25km de Vilhena, durante uma briga com dois caminhoneiros.

O delegado de polícia Nubio Lopes de Oliveira, presidente do inquérito policial, apresentou as duas versões a respeito do caso (a dos caminhoneiros envolvidos na confusão e a outra da esposa e irmã da vítima). Contudo, os laudos periciais foram de suma importância para a conclusão das investigações.

Pela cronologia foi possível detectar cada momento da confusão 

Edemilson protegeu a esposa que estava perto dele no primeiro disparo – foto: arquivo

Era um sábado à noite. Os caminhoneiros Juracy Pereira e Rogério Miguel Fagundes chegaram ao pátio do restaurante e Edemilson não queria que ambos estacionassem o caminhão no local onde pararam – de acordo com as informações repassadas ao delegado sobre o assunto, havia registro de assalto no local onde estavam os veículos – e a discussão começou neste momento.

A versão dos caminhoneiros foi de que Edemilson teria lhes rendido com a arma, desferido coronhadas e obrigado ambos a dirigirem-se até os fundos do restaurante. Contudo, a versão das outras duas testemunhas sobre o assunto prevaleceu: de acordo com as investigações, ao perceber que um dos caminhoneiros estava armado, a vítima então foi até seu automóvel e pegou sua arma.

Edemilson insistia para que Juracy Pereira entregasse a arma, que de acordo com as investigações, estava “na cinta” do motorista na região das costas. Diante do impasse, Rogério Miguel Fagundes pegou a arma do colega e neste momento Edemilson partiu pra cima de Rogério e ambos começaram a lutar.

A investigação apontou que Juracy, aplicava chutes contra Edemilson, enquanto o colega tentava desarmá-lo. Foi quando as duas armas envolvidas no crime caíram em decorrência da briga. O delegado explica que Juracy ficou com as duas armas e a briga entre ambos foi separa pela irmã e esposa da vítima.

A esposa de Edemilson tentava distanciá-lo da confusão puxando-o pelo colarinho da camisa. Rogério Miguel levantou-se, e teria feito insinuações contra Edemilson que neste momento sacou um canivete e desferiu um golpe que atingiu a barriga do motorista. Rogério Miguel teria dito ao amigo: “Fui furado”.

A irmã de Edemilson, de acordo com as investigações, gritava pra ele sequencialmente: “Olha o que você fez!” Foi quando Juracy teria dito: “Agora você vai morrer”.

A perícia apontou que no primeiro disparo, Edemilson se colocou completamente a frente da esposa na tentativa de protegê-la, e virou-se para correr para os fundos do restaurante. O segundo disparo acertou-o de raspão em um de seus braços, na região do ombro e o terceiro (que foi o fatal) lhe atingiu a região masseterina (a lateral do rosto). Ele ainda conseguiu correr, mas acabou morrendo a poucos metros do local da briga.

Resultado mostrou o detalhe da morte 

De acordo com o delegado, a causa da morte foi asfixia mecânica. O projétil, segundo o laudo, entrou no rosto, mas mudou o curso porque chocou-se contra a base da mandíbula, mudando o trajeto em sentido ao coração, atingindo uma artéria importante, que provocou hemorragia e consequente obstrução da respiração, o que gerou a asfixia.

Depois dos disparos, um ferido e um morto 

Após os disparos, Juracy pegou o amigo ferido e o socorreu até o hospital. Edemilson morreu no local do incidente.

Por ficar com as armas de fogo, constatou-se ausência de legítima defesa

 “No momento em que o caminhoneiro efetuou o disparo contra o dono do restaurante, ele não estava com a vida ameaçada. O dono do restaurante estava com um canivete, e o motorista estava com as duas armas envolvidas no crime”, disse o delegado, que afastou por completo a versão de legítima defesa apresentada pelo caminhoneiro.

Agora você vai morrer. A frase teria sido dita por Juracy antes de começar os disparos contra a vítima. Edemilson morreu em decorrência de uma asfixia mecânica

As armas que estavam com Juracy não foram encontradas pela polícia. Em seu depoimento, o motorista relatou que jogou uma das armas fora. Concluiu-se então que o motivo da morte, de acordo com as investigações, foi a revolta de Juracy pelo amigo ferido.

Outro fator que corroborou para o afastamento da tese de legítima defesa foi a distância entre o autor do disparo e a vítima. A investigação concluiu que Juracy estava longe o suficiente de Edemilson – que estava sem uma arma de fogo – no momento em que atirou.

Em que pese o fato de Juracy ser o autor do crime e restar comprovado, segundo as investigações, que não foi legítima defesa, o delegado não pediu a prisão preventiva do autor. Ele explica que o motorista colaborou com as investigações, tem emprego e residência fixos e não representa nenhum tipo de perigo à sociedade.

Juracy será indiciado por homicídio simples.

 

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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