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A banquinha do cargo comissionado e as histórias de bastidores em Vilhena; confira a coluna Gazetônica

Prefeito Japonês repudiava politicagem em campanha; agora é praticante ativo. Coronel Bolsonarista condiciona emenda por vaga a parceiros de política

O prefeito Eduardo Japonês errou feio em uma declaração feita à imprensa nos últimos dias ao admitir que fez negociatas de cargos comissionados com o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PSL). O fato é que nenhum dos dois poderia realizar esse tipo de conduta. Isso porque ambos se elegeram prometendo acabar com o formato da velha política e extinguir todo tipo de comportamento que onera a folha em favor de companheiros. Japonês sempre criticou o alto número de cargos comissionados, mas é um dos reis da nomeação no estado de Rondônia. O deputado, Bolsonarista de primeira hora, sequer poderia pedir esse tipo de favor político, uma vez que é membro de uma base que repudia conduta politiqueira.

Matemática

Veja só: se o deputado Chrisóstomo emplacar apenas um assessor em cada prefeitura de Rondônia, ele terá 52 assessores trabalhando em prol de sua reeleição. Se for um bom negociante e conseguir emplacar dois assessores em cada prefeitura, ele passa a ter mais de 100 cargos comissionados pagos pelo povo. Isso sem contar os assessores de seu gabinete e dos escritórios de apoio que mantém com a verba da câmara federal. Mudou o que no fim das contas?

Conversa fiada

Na justificativa do prefeito, os cargos pedidos por Chrisóstomo são para garantir o envio de R$ 3 milhões em emendas para Vilhena, onde o deputado teve uma super votação. Será mesmo? O deputado deixaria de enviar esse valor em emenda para um município onde teve mais de 1.8 mil votos (correndo o risco de não se reeleger) porque não teria cargos comissionados?  Balela, né?! Além do mais, emenda é obrigação de deputado. Dar portaria em troca de emenda é camaradagem entre políticos.

Denúncias

E como deu polícia nas manchetes de política nestes últimos dias! Começando pelo escândalo do arroz na merenda escolar de Vilhena. Que pouca vergonha. E o que é pior: tinha gente ganhando muito dinheiro fornecendo comida de baixa qualidade pra crianças.

Denúncias II

Assusta, no entanto, o fato de que a equipe de nutricionistas da Secretaria de Educação de Vilhena não ter sequer percebido que o produto não era de qualidade. Poxa, foram 8 mil sacos de arroz comprados pelo município e a secretaria disse em nota que só percebeu quando a polícia confirmou através da perícia. Lamentável toda a situação.

Denúncias III

É bom ressaltar que as investigações da Polícia Civil, pelo menos oficialmente, não apontam o envolvimento direto da prefeitura ou de qualquer servidor neste escândalo.

Deu pau

Servidores do Hospital Regional de Vilhena informaram que o arco cirúrgico recém comprado pelo município de Vilhena – equipamento foi comprado na gestão da então prefeita Rosani Donadon, mas entregue quando o prefeito Eduardo Japonês já estava no cargo – estragou. O Secretário de saúde, Afonso Emerick, disse que o aparelho antigo voltou a ser utilizado. O novo, por estar na garantia, está sob análise da empresa que o vendeu.

O que é arco cirúrgico?

O arco cirúrgico é um equipamento de raios-X através do qual é possível produzir imagens em tempo real. São utilizados em diversas cirurgias como urologia, ortopedia, vasculares, implantes de marca passos entre outros procedimentos. O aparelho comprado pelo município de Vilhena custou mais de R$ 300 mil.

Deu pau II

Uma retro escavadeira nova da secretaria de agricultura de Vilhena “está no toco”. A informação foi confirmada pelo secretário Jair Dornelas, mas ele explicou o motivo. A máquina estava fazendo um tanque em um brejo (ele não disse onde) e um pedaço de pau entrou na hélice do radiador do equipamento.

Deu pau III

Jair explicou que não havia peça original na concessionária – enquanto eles procuravam  a peça de reposição, a retro escavadeira ficou parada. No brejo. O secretário explicou que a água começou a ganhar força onde estava o equipamento e antes que a máquina ficasse submersa, ele então ordenou a retirada.

O que aconteceu?

A retro foi tirada do local sem a hélice e houve superaquecimento do motor. Embora o motor não tenha fundido completamente, os reparos vão custar R$ 4.5 mil. Pelos cálculos apresentados pelo secretário, caso o motor tivesse fundido, a reforma seria de R$ 20 mil; se a máquina tivesse ficado no brejo, nem com tarrafa seria possível retirá-la.

 

 

 

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Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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