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Um novembro Azul para te dizer que a sua saúde mental é muito importante

Por conta de um padrão de masculinidade, os homens deixam de fazer exames preventivos e só procuram ajuda médica quando o problema é grave

Tenho certeza que você já deve ter ouvido alguém dizer que “homem que é homem não chora”; homem que é homem tem que sustentar a casa, tem que ser conquistador e forte o tempo todo, e assim, coletivamente vamos construindo uma identidade masculina que mais parece uma prisão.

Uma identidade que determina como devem ser as suas roupas, a sua aparência, os comportamentos e sentimentos que devem ser expressados e constrói uma crença de que este homem tão forte, em nenhum momento podem admitir que sua virilidade e capacidade de provedor sejam ameaçados.

Presenciamos nossos pais, filhos, esposos e amigos reprimindo seus sentimentos, constantemente mencionando aquele “famoso nó na garganta”, e muitas vezes encontrando no álcool e nas drogas uma máscara para disfarçar as preocupações e sofrimentos, que não tem permissão social para ser expressados.

Diante dessa cultura de que homem não pode externalizar seus reais sentimentos, admitir suas fragilidades e aceitar suas limitações, hoje os homens cometem entre 3 a 5 vezes mais suicídios que as mulheres,  possuem os maiores índices de uso abusivo de álcool e drogas, representam 95% da população prisional do nosso país e em todas as estatísticas de mortes e agravos por violência no Brasil, eles são as maiores vítimas.

Você sabia que a cada três mortes de pessoas adultas, duas são homens e que eles vivem em média sete anos a menos que as mulheres? O que o machismo e o preconceito tem a ver com tudo isso? Eles impedem que a grande maioria destes homens se engajem na prática de hábitos de vida mais saudáveis.

Por acreditarem que isso é “coisa de mulher”, deixam de buscar ajuda profissional de forma preventiva e só vão procuram os serviços de saúde quando já estão com problemas de média e alta complexidade. Menos de 25% dos homens na faixa etária de 50 anos fizeram exame de toque retal para a detecção precoce do câncer de próstata.

Imaginem em quanto esse padrão do que é ser um homem “ideal” tem reduzido o seu tempo com as pessoas que você ama, tem prejudicado a sua saúde, trazido sofrimento, influenciado negativamente nas relações que você estabelece com seus filhos, esposas e netos e quantos abraços e demonstrações de afeto que nunca foram dados.

Que tal, aproveitarmos esse novembro para quebrar esses tabus e curtir a vida com mais leveza?

Se permitir ser quem você é, reconhecer seus limites e potencialidades e ajudar a nossa sociedade a construir novas masculidades, de maneira a reconhecer e respeitar a história, os sonhos e a singularidade de cada homem, que tem um valor único no mundo.

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Diene Nepomuceno

Diene Nepomuceno. Graduada em psicologia e especialista em Terapia Cognitivo- Comportamental. Apaixonada pela sua profissão, tem se dedicado a ajudar as pessoas a transformar suas vidas por meio do autoconhecimento.

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