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Volume de comissionados vira alvo de críticas de servidores após engavetamento de PCCS em Vilhena

Prefeito disse a sindicato que a responsabilidade da decisão de arquivar o plano era somente dele

Após repercussão acerca da decisão tomada pelo prefeito de Vilhena, Eduardo Japonês (PV), que nesta segunda-feira, 30, decidiu deixar a votação do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) dos servidores municipais para outra oportunidade, o site Gazeta Amazônica recebeu uma série de mensagens de servidores contestando a justificativa do chefe do executivo municipal para adiar a votação da matéria, que já estava em trâmite na câmara de vereadores e, de acordo com levantamento feito pelo site, contava com o apoio da maioria absoluta dos edis.

O coro dos descontentes mira no calcanhar de Aquiles do prefeito: o número de comissionados que mantem na folha de pagamento da prefeitura. Um dos servidores relembrou que o município chegou a manter 600 cargos comissionados. Em análise feita pela Gazeta na noite desta segunda-feira, 30, no entanto, ficou constatado que a prefeitura de Vilhena tem 598 cargos desta natureza.

“Ele dizia em campanha que iria administrar o município com 200 cargos comissionados e agora tem mais que o dobro. Não poderia demitir seus cabos eleitorais e economizar sem prejudicar a nós, servidores? Quanto o município ira economizar se não houvesse esse tanto de cargos comissionados?”, questiona o funcionário público.

Outra servidora relembrou que o PCCS foi uma promessa de campanha do prefeito. “Ele reuniu os servidores e prometeu a criação do PCCS como uma de suas principais prioridades, agora ele faz isso com a gente. Nós criamos expectativas e mais uma vez nos frustramos por acreditar em falsas promessas”, lamentou a servidora.

Um funcionário do município mais exaltado com a situação chegou a dizer que Japonês está utilizando a pandemia do Coronavírus pra não cumprir o que prometera. “Até agora nenhum caso positivo foi registrado em Vilhena, o comércio volta à atividade e nós fomos enganados mais uma vez”, ataca.

Todos os servidores que permitiram publicações de suas falas solicitaram anonimato para evitar possíveis perseguições políticas em seus postos de trabalho.

 

Quadro de servidores mostra volume de comissionados contratados pela prefeitura de Vilhena – foto: Reprodução/prefeitura de Vilhena

Em sua justificativa para adiar a consolidação do PCCS, o prefeito relatou, segundo informações do Sindicato dos Servidores Municipais do Cone sul de Rondônia (Sindsul) que tomou a decisão com base na recomendação do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), que sugeriu aos ordenadores de despesa do estado que não promovam nenhum tipo de incremento remuneratório em seus orçamentos, uma vez que não se sabe, ainda, o impacto financeiro que a proliferação do Coronavírus poderá causar na administração pública.

“O Covid pegou todos de surpresa. Nós entendemos de uma forma muito humana a situação, porém, precisamos dizer que estamos grandemente decepcionados, já que isso (consolidação do PCCS) poderia ter sido resolvido de maneira mais célere”, disse o presidente do Sindsul, Wanderley Ricardo Campos.

 

Rômulo Azevedo

Jornalista e graduado em Marketing, atua na comunicação desde 2006. Especialista em Jornalismo on-line, com experiência em Assessoria de Comunicação e Marketing. Está na Gazeta Amazônica em busca de novas formas de se fazer Jornalismo em Rondônia

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